Esta semana deverá ser uma das melhores semanas do ano para os mercados accionistas europeus e americanos. Após as fortes correcções, devido aos maiores receios de um aperto das condições monetárias nos USA e na Europa, os mercados accionistas recuperaram parte das perdas e ressuscitaram o ânimo dos investidores. Mas terão muitas razões para sorrir no futuro?
É sabido que os mercados tentam antecipar os cenários futuros, daí que as notícias previstas costumam ser velhas notícias. Os mercados incorporaram subidas nas taxas de juro e um arrefecimento económico, mas foram agradavelmente surpreendidos com os resultados apresentados pelas principais empresas. Ou seja, apesar da subida dos custos do dinheiro e do seu financiamento, as empresas conseguiram absorver esse aumento dos custos, com aumentos de eficiência operacional, controlo de custos e maiores vendas. Apesar de um nítido abrandamento económico na economia americana. Poderemos quase dizer que as empresas aguentaram bem o choque de um abrandamento económico americano, subidas nas taxas de juro e até fortes aumentos de preços das matérias-primas. E os resultados foram bons. Excelentes razões para sorrir têm os investidores.
Todavia há sempre algo que ensombra os investidores. E quanto menos sombras no horizonte, pior para os investidores. Logo, numa óptica de funcionamento dos mercados, estes preços actuais das acções mais as actuais sombras sobre o mercado, tudo indica que vale a pena comprar alguns títulos aos actuais preços.
Quais são as sombras no horizonte? As principais sombras são o forte arrefecimento económico americano, que se pode transformar numa recessão a curto-prazo; as pressões inflacionistas que assustam os vários bancos centrais, que os têm levado a apertar as condições monetárias, leia-se, subidas nas taxas de juro. Segundo a
BusinessWeek, os deflatores da Reserva Federal subiram bastante, do primeiro para o segundo trimestre. De 2,1% para 2,9%, o valor mais alto dos últimos 12 anos. E estes dados foram colectados antes da recente subida dos preços do crude e não têm em conta as subidas dos preços da gasolina nos USA, que agora estão a ser cobrados na casa dos 3 dólares por galão.
An inflation gauge closely watched by the Federal Reserve showed that core prices - excluding food and energy - jumped at a 2,9% annual rate in the second quarter - far outside the Fed's comfort zone. That was up from 2,1% growth rate in the first quarter and marked the highest inflation reading since the third quarter of 1994, when core inflation close at a 3,2% pace.Mais à frente, o artigo informa-nos também:
In a separate report from the Labor Department, employer's costs and retain workers picked up in second quarter, a development that raise some inflation concerns.Todo o artigo aqui.Ora, as preocupações com as pressões inflacionistas devem ser levadas a sério, pois além dos preços já estarem a subir acima do valor que a Reserva Federal considera salutar, 2%, também os custos salariais estão a subir, à medida que o desemprego cai e apertam as dificuldades das empresas em reterem e/ou contratarem mão-de-obra, em especial a qualificada. Todavia, o mercado accionista parece acreditar que o fim da bolha especulativa no sector imobiliário poderá relaxar parte das actuais pressões inflacionistas e até libertar recursos humanos que podem ser usados noutros sectores económicos.
Seja como for, as pressões inflacionistas estão demasiado altas para os padrões desejados pelo novo Presidente da Reserva Federal, Bernanke, mas os resultados das empresas têm mostrado que estas têm conseguido absorver estes custos e melhorar os seus resultados. Por isso o mercado não teme tanto as actuais pressões inflacionistas. E pensam que continuará a actual tendência mesmo que a Reserva Federal volte a subir as suas taxas de juro de referência em 25 pontos-base. E mesmo assim, o mercado, pouco parece afectado pelas ameaças que pairam sobre o consumo americano, que foi afectado pela recente subida nos custos da gasolina e das taxas de juro. O mercado acredita que esta queda eventual no consumo poderá ser colmatada com uma procura maior gerada pela criação de empregos.
Até agora o mercado tem tido razão. Os resultados das empresas têm sido bons e melhores deverão ser no futuro, até pelas cada vez maiores actividades das empresas cotadas nos mercados asiáticos, em especial na China, que poderá contrabalançar um eventual forte arrefecimento da economia americana. E, em breve, os lucros obtidos com as actividades nesta zona do mundo, em particular na China, podem alegrar ainda mais os investidores. A menos que a economia chinesa sobreaqueça e exporte muito mais inflação e ponha em perigo, ainda mais, a estabilidade dos preços nos USA e na Europa. Todavia, até agora, as empresas têm conseguido excelentes resultados.
Por isso os mercados saudaram com especial realce a queda na taxa de crescimento da economia americana, os bons resultados apresentados e acreditam que a economia mundial continuará a crescer saudavelmente, mas talvez com menos pressões inflacionistas. Aliás, é curioso como as cotações do crude cairam logo, quando se conheceu o forte arrefecimento da economia americana. Embora aqui, parece, o efeito deverá ser temporário, pois existem fortes suspeitas que a China está a criar as suas reservas estratégicas de crude, com tudo o que isso implica em termos de aumento da procura de petróleo. Estima-se que só em 2005 a China foi responsável por uma subida no consumo em 400 mil barris por dia. E em 2006 este consumo, em vez de abrandar, parece estar a acelerar. O que poderá contrabalançar uma eventual queda no consumo de gasolina nos USA.
Para já, os mercados sobem e saudam os recentes dados económicos. Para ajudar à psicologia dos investidores, existem núvens nos horizontes para temperar os apetites dos maus investidores e das massas populares e traders, conjungando assim alguns factores para os mercados festejarem, com a maior subida semanal do ano. O que indicia que o final do ano poderá ser ainda melhor. Isto se as núvens não se transformarem numa forte tempestade. E o caso neo-zelandês está aí para nos lembrar que é preciso que a inflação caia, senão...
A ver vamos.